Um dos maiores avanços da medicina nas últimas décadas foi o desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida. A FIV (Fertilização In Vitro) foi o que mais contribui para que milhares de casais pudessem realizar o sonho de ser pais.

O nascimento do primeiro bebê de proveta ocorreu em 1978, na Inglaterra. Inicialmente o método estava indicado apenas para mulheres com problemas nas trompas. Se no início a chance de gravidez era muito pequena, hoje contamos com taxas de gestação bem maiores, mas que ainda não ultrapassam, nos casos mais favoráveis, índices de 50 a 60% por tentativa. Mas, dependendo dos fatores como a idade da mulher ou o grau de severidade do problema, os índices de sucesso são inferiores a 10%.

Muitos casais têm a felicidade de engravidar em uma primeira fertilização. No entanto, alguns precisam repetir o tratamento e, as vezes, é necessário fazer várias tentativas até o bebê chegar.  Quando o tratamento dá certo, tudo é alegria. Mas, e quando não deu certo, o que pensar?? Não é fácil passar por um tratamento que geralmente é desgastante fisicamente, financeiramente e, sobretudo, emocionalmente para depois se defrontar com um resultado frustrante. 

Se tudo o que foi orientado foi feito, por que não engravidei? Sem duvidas esta é a primeira pergunta que vem à tona. Tão frustrante quanto o tratamento não dar certo é não ter uma explicação convincente de por que o tratamento não deu certo.

No centro de pesquisa e reprodução humana Nilo Frantz tanto a perda de uma gestação inicial quanto o insucesso de uma tentativa de FIV são amplamente investigados. O objetivo desta pesquisa é identificar o motivo pelo qual o casal teve um desfecho gestacional mal sucedido, tentando assim evitar a repetição da dolorosa experiência.  Dentre as causas mais comuns que levam a falhas na FIV, temos:



Alterações Imunológicas:
Existe um grande numero de anormalidades no funcionamento do sistema imunológicos que podem impedir a implantação de embriões no endométrio. Através de exames de sangue pode-se diagnosticar essas alterações.
Depois da investigação, frequentemente são diagnosticadas elevações nos níveis de células natural killers (NK) ou em anticorpos do tipo anti-fosfatidilserina, anti-cardiolipina, anti-tireoglobulina, entre outros. Além da síndrome anti-fosfolípides, mutações em gens como o MTHFR, da protrombina e do fator V de Leiden que também podem ser avaliados. Os tratamentos variam desde o uso de comprimidos de acido fólico, prescrição de corticoides, até a necessidade de uso diário de injeções subcutâneas de enoxaparina sódica(anticoagulantes). Em alguns casos, pode ser indicada a administração de imunoglobulina humana endovenosa e de imunizações com linfócitos paternos (ILP).


Alterações Uterinas:
Através de exames como ultrassom transvaginal de alta resolução, a histerossonografia, a ressonância, a histerossalpingografia e a histeroscopia é possível diagnosticar e tratar problemas que levem às falhas de implantação embrionária. Anormalidades como endometrite, pólipos endometriais, miomas submucosos ou sinéquias podem ser identificadas e tratadas.


Alterações Cromossômicas e Genéticas:
Significativo percentual dos embriões gerados, seja naturalmente, já mediante tratamento, apresenta anomalias em seus gens ou cromossomas, o que acabar por impedir o desenvolvimento de uma gestação normal. Sucessivos abortamentos ou repetidas falhas em FIV podem ser decorrentes deste tipo de alteração. Além da analise por cariótipo do homem e da mulher, pode ser feito estudos do material nos casos de abortos, o diagnostico genético pre-implantacional (PGD/PGS) e o array-CGH, podem rastrear alterações cromossômicas e genicas no estagio embrionário, antes mesma da implantação no útero da mãe.
O método array-CGH, está permitindo revelar milhares de alterações gênicas. Algumas começam a ser descobertas e descritas na literatura medica somente agora. Analiza embriões no estagio de blastocisto (5 º dia após fertilização in vitro) e exclui alterações gênicas imperceptíveis no estudo do cariótipo, elevando assim a taxa de gestação para até 60% por tentativa.



Alterações na qualidade dos gametas (Óvulos e Espermatozoides):
A qualidade dos gametas femininos e masculinos influencia diretamente nas taxas de gravidez. O embrião é resultado da fusão destas duas células germinativas. Basta uma ser alterada para não ocorrer a fecundação ou haver o desenvolvimento inicial de um embrião que não resultará em gestação evolutiva. 
No caso dos óvulos, verifica-se com o passar da idade o aumento no percentual de anômalos. Tal queda na qualidade se acentua após os 35 anos. Mas, mesmo mulheres jovens podem ter problemas desta ordem. Fatores agravantes são o tabagismo, o uso de drogas, o contato com substancias químicas toxicas e uma alimentação inadequada.
No caso do homem, verifica-se o espermatograma uma parcela significativa de distúrbios na quantidade, na motilidade e na morfologia dos espermatozoides. Exames como o teste de fragmentação do DNA espermático, podem quantificar se há ou não um comprometimento acentuado na cromatina.







Fonte: Nilo Frantz


  



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