A FIV  é indicadas para casais que tenham problemas com a infertilidade. As indicações para o tratamento é as seguintes:


 Indicações para FIV Femininas: Disfunção ovulatória moderada ou severa; obstrução tubária; falhas de gravidez após cicos de IIU, endometriose.



Indicações para FIV Masculinas:  Défice ligeiro da qualidade do sêmen.



Indução Crescimento folicular: A indução do crescimento folicular com administração de indutores ovulatórios. O crescimento folicular é monitorado por ultrassonografias e através de análises sanguíneas do estradiol, que de acordo com o resultado vai se ajustando as doses dos medicamentos. Geralmente o período de indução dura de 1 a 2 semanas. Há boa resposta quando vários folículos (de 3 a 8 por ovário) atingem 17mm. 



Hiperestimulos: A síndrome do hiperestimulo dos ovários pode ser prevenido com o acompanhamento correto.


Indução da maturação ovocitária e da ovulação:


Administração da hormona hCG ou rLH (injecção única intramuscular) quando os folículos atingem 17 mm. Sob a sua acção, ocorre a maturação genética dos ovócitos e o crescimento final dos folículos até 20-30 mm de diâmetro.

Aspiração dos folículos ováricos:

Por ecografia endovaginal, até 36h após a hCG. Efectua-se sob ligeira sedação endovenosa por anestesista. É uma técnica indolor que demora cerca de 5 minutos por ovário.



Progesterona intravaginal (dia 0)

A progesterona (comprimidos vaginais) prepara o endométrio para a implantação. Na altura da transferência embrionária, o endométrio deve ter uma espessura de 12-14 mm (mínimo de 8 mm) e um aspecto trilamelar na ecografia. Os comprimidos vaginais aplicam-se de 8/8h até à 12ª semana de gravidez. Deve ser interrompida se surgir menstruação ou se o doseamento hormonal da implantação for negativo.


Colheita e preparação dos espermatozóides (dia 0)

Como IIU. Se a colheita falhar, em vez de FIV efectua-se microinjecção (ICSI), com obtenção dos espermatozóides por MESA ou TESA.



Técnica laboratorial da FIV (dia 0):
Numa placa de cultura, colocam-se os folículos e espermatozóides (fracção swim-up) numa concentração de 50.000 por folículo ou por mL. A fecundação e o desenvolvimento embrionário ocorrem in vitro numa incubadora.


Taxas médias de maturidade ovocitária, de fertilização e de desenvolvimento embrionário:


As taxas médias de maturidade ovocitária, de fertilização e de desenvolvimento embrionário pré-implantação são dependentes de factores aleatórios de índole individual (qualidade dos ovócitos e dos espermatozóides) e de espécie (70-80% dos embriões humanos possuem anomalias genéticas) e não das técnicas de RMA.
Maturidade ovocitária: 80% dos ovócitos aspirados.
Fecundação (12-18 h pós-inseminação ou pós-microinjecção, de dia 1: embrião de 1 célula, estádio de pronúcleos ou zigoto): 70%.
Embriões AB ao dia 2 (com 2-4 blastómeros): 60%.
Embriões AB ao dia 3 (com 6-12 blastómeros): 50%.
Embriões AB ao dia 4 (64 blastómeros: mórula): 40%.
Embriões AB ao dia 5 (250 células: blastocisto): 30%.
Embriões AB ao dia 6 (blastocisto eclodido): 25%



Qualidade embrionária:


Embriões de dia 2-4

Excelente (grau A): embriões com blastómeros de diâmetro similar e 0% de fragmentos.
Boa (grau B): embriões com <25% de fragmentos.
Insuficiente (grau C): embriões com 25-50% de fragmentos. Só se devem transferir embriões C na ausência de embriões A/B, porque contêm uma maior percentagem (93%) de anomalias genéticas
Má (grau D): embriões com >50% de fragmentos. Não devem ser transferidos, porque possuem (100%) anomalias genéticas.


Embriões de dia 5-6

Excelente (grau A): massa celular interna atinge pelo menos 2/3 do raio com ausência de células degenerativas; presença de trofoblasto contínuo e fino sem células degenerativas; presença de zona pelúcida fina.
Boa (grau B): massa celular interna 1/3-2/3 do raio com ausência de células degenerativas; presença de trofoblasto contínuo e fino sem células degenerativas; presença de zona pelúcida fina.
Insuficiente (grau C): massa celular interna 1/3-2/3 do raio e/ou presença de algumas células degenerativas; trofoblasto mal diferenciado (descontínuo, ou espesso ou com algumas células degenerativas); zona pelúcida espessa.
Má (grau D): massa celular interna <1/3 do raio; presença de múltiplas células degenerativas; trofoblasto mal diferenciado (descontínuo, ou espesso ou com múltiplas células degenerativas); zona pelúcida espessa.




Dia da transferência dos embriões:


Dia 1: opcional.
Dia 2: se há ≤4 zigotos (0,70x4=2,8);
Dia 3: se há pelo menos 5 zigotos (0,60x5=3);
Dia 5: se há pelo menos 6 zigotos (0,3x6=1,8).


Número de embriões a transferir: 

- Embriões de dia 1: 3-4 se <35 anos, 4-5 se ≥35 anos ou se já efectuou 2 ciclos FIV sem gravidez.
- Embriões de dia 2: 2-3 se <35 anos, 3-4 se ≥35 anos ou se já efectuou 2 ciclos FIV sem gravidez.
- Embriões de dia 3: 2 se <35 anos, 3 se ≥35 anos ou se já efectuou 2 ciclos FIV sem gravidez.
- Embriões de dia 5: 1 se <35 anos, 2 se ≥35 anos ou se já efectuou 2 ciclos FIV sem gravidez.



Taxas de gravidez:

Mulher <39 anos de idade:
6% (embriões de dia 1: ovócitos fecundados, embrião de 1 célula ou zigoto).
19% (embriões de dia 2, com 4 células).
27% (embriões de dia 3, com 8-12 células).
35% (embriões de dia 4, com 64 células ou mórula).
42% (embriões de dia 5, com 250 células ou blastocisto)

Mulher ≥39 anos de idade: 
10-15% menos.
Taxas de gravidez gemelar. 20-25%. Pode ser nula se só se efectuar transferência de 1 blastocisto ou de 1-2 embriões (de dia 2 ou de dia 3).



Transferência de embriões:

Os embriões são transferidos para a cavidade uterina (transferência intra-uterina) num catéter, sob controle ecográfico. É um processo indolor que demora cerca de 5 minutos. Os embriões são libertados 1 cm abaixo do fundo uterino, à saída das trompas. Após a transferência, o catéter é avaliado no laboratório para confirmar que os embriões foram correctamente depositados na cavidade uterina. Nos casos em que não se consegue introduzir o catéter no colo uterino e nos casos em que os embriões não implantam por anomalia molecular dos receptores do endométrio, pode efectuar-se a introdução dos embriões directamente no endométrio (transferência trans-endometrial). Neste caso, a taxa de gravidez é menor devido à reacção inflamatória da picada. Trata-se de um procedimento indolor e sem complicações, efectuando-se sob controle ecográfico.
No tratamento, a transferência de embriões é o passo mais crítico em relação às taxas de gravidez, logo a seguir à qualidade e ao número dos embriões transferidos. A transferência de embriões não corresponde à implantação. A implantação embrionária é um processo natural que ocorre ao 8º dia do desenvolvimento embrionário pré-implantação. Ou seja, se a mulher efectuar a transferência embrionária ao 3º dia, os embriões permanecem na cavidade uterina a desenvolverem-se até ao 8º dia, altura em que, eventualmente, adquirem a capacidade de penetrarem para dentro do endométrio.
Período de repouso após a transferência dos embriões. 30 minutos deitada.
Cuidados após a transferência de embriões. Após a transferência de embriões, a mulher não necessita de permanecer deitada nem de ficar em casa em repouso. Apesar de estarem na cavidade uterina, os embriões não caiem para o exterior porque a cavidade uterina é virtual, ou seja, as paredes tocam-se e não deixam sair os embriões. No entanto, como se trata de um tratamento, numa situação de dificuldade em conceber, os cuidados são geralmente aumentados, ficando a mulher 15-60 minutos em repouso após a transferência dos embriões, e aconselhando-se repouso em casa durante 1 semana. Deve aumentar as horas de repouso diárias, sentada ou deitada; alimentação equilibrada de 3/3 horas, com 1,5L água/dia; abstenção de viagens prolongadas, de desportos basculantes (hipismo, motociclismo, ciclismo, saltos), de relações sexuais e de trabalho de pé prolongado.
Medicação após a transferência dos embriões. Antibiótico profilático, ácido fólico (protecção contra defeitos do sistema nervoso do feto), ácido acetilsalicílico ou corticóide em baixas doses.


Detecção da Gravidez:


Gravidez Bioquímica (implantação). Doseamento sanguíneo da hormona βhCG no sangue ao 12-14º dia após a transferência dos embriões (positiva se ≥20 U). Esta hormona é segregada pelo trofoblasto (células responsáveis pela implantação, secreção da βhCG e formação da placenta) e não pelo epiblasto (células que originam o feto), pelo que, em certos casos (10%), o teste pode ser falsamente positivo, ou seja, ter ocorrido implantação de um embrião sem capacidade de originar um feto.
Gravidez Clínica. Ecografia que avalia a presença de placenta, líquido amniótico e feto com batimentos cardíacos à 5-7ª semana da gravidez. Na espécie humana, existe uma taxa elevada de abortamentos espontâneos do primeiro trimestre (14-18%; expulsão espontânea de embriões com anomalias genéticas ou por defeitos da placenta), pelo que apenas após as 12 semanas (gravidez evolutiva) é que a gravidez é mais segura.


Frequência dos ciclos de tratamento:

De 3/3, 4/4 ou de 6/6 meses, para repousar os ovários. Não deve ser superior a 6 meses, uma vez que a estimulação ovárica cíclica aumenta as taxas de gravidez.


Criopreservação de embriões:

Indicações. Embriões excedentários de FIV/ICSI.
Tipo de embriões passíveis de criopreservação. Só embriões de classe A/B. A criopreservação de embriões excedentários é muito útil para os casais, porque evita uma nova estimulação ovárica da paciente, o que diminui os riscos para a sua saúde e alivia os encargos financeiros da RMA por não necessitar de um novo ciclo de estimulação ovárica. Por geralmente se efectuar uma estimulação suave do ovário, com uma média de 6-8 ovócitos maduros por ciclo de tratamento, quer por se efectuar cultura prolongada de embriões até à fase de blastocisto sempre que tal é possível, a maioria dos casais não tem embriões excedentários para criopreservação. Os embriões excedentários podem não ser criopreservados nos casos em que o casal não deseja a criopreservação ou não deseja outro bebé. A criopreservação de embriões é pouco frequente e os embriões criopreservados são na sua maioria reutilizados pelos casais. Entre 1997-2003, de 3.000 ciclos só 196 (7%) efectuaram criopreservação de embriões (382 embriões). Em 63% dos ciclos de criopreservação, 57% dos embriões foram descongelados e reutilizados após 6 meses, e os embriões restantes foram utilizados pelos casais 3 anos após a gravidez alcançada.
Transferência de embriões criopreservados. Os embriões excedentários criopreservados destinam-se a ser transferidos para o útero da paciente nos 6 meses seguintes em caso de falha de gravidez, ou nos 3 anos seguintes após o nascimento da criança no caso de o casal ter alcançado a gravidez na tentativa.
Taxa de sobrevida na descongelação. 50-70%.
Progesterona intravaginal. Início 5 dias antes da transferência dos embriões.
Transferência de embriões. No dia seguinte ao da descongelação.
Número e qualidade de embriões a transferir, Período de repouso, Cuidados e Medicação após transferência dos embriões, Detecção de gravidez. Como descrito para embriões frescos.
Taxa de gravidez. 10-15% inferior à obtida com embriões frescos.
Taxa de gravidez gemelar. Como descrito para embriões frescos.




Fonte: A P Fertilidade




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