Ainda não totalmente desvendada pela Medicina, a endometriose se apresenta cada vez com mais freqüência. Sua incidência tem aumentado consideravelmente, porém os especialistas ainda não sabem ao certo a causa do problema. "Com a difusão dos conhecimentos da doença, tanto para os médicos, quanto para a população em geral, os diagnósticos são feitos com maior precisão e em maior número", afirma o ginecologista o ginecologista especializado em Reprodução Humana, Prof° Dr. Joji Ueno, diretor da Clínica Gera, que acaba de retornar do 37° Congresso Mundial de Ginecologia Minimamente Invasiva, evento promovido pela AAGL- Associação Americana de Ginecologia Laparoscópica - em Las Vegas, EUA, onde, há alguns anos, a doença vem sendo um dos temas mais debatidos durante o evento.

"O primeiro sintoma a aparecer, em geral, é a cólica menstrual (dismenorréia). Ela é progressiva. Ou seja, no princípio, a mulher refere-se a ela como leve. Entretanto, com o passar dos anos, a dor vai piorando até ficar muito intensa, o que a impede de fazer suas atividades habituais. Outro sintoma é a dor durante a relação sexual (dispareunia)", alerta o ginecologista. As cólicas menstruais que caracterizam a endometriose não melhoram com medicação, apresentam-se muito severas e requerem repouso. A dor que acontece durante a relação sexual, em geral, aparece quando a penetração é profunda e tende a ser mais intensa no período pré-menstrual.



Além de provocar dores fortes, a endometriose também compromete a vida sexual do casal. "Como provoca dor pélvica, às vezes contínua, e muito desconforto durante a relação sexual, é comum a mulher apresentar irritabilidade, tristeza, angústia e depressão. Muitas passam a evitar a relação sexual, afetando a vida conjugal", alerta Joji Ueno.

A doença compromete também a fertilidade feminina e, dependendo do grau, a dificuldade para engravidar pode ser maior ou menor. "Em casos leves, as tubas ainda não foram afetadas. Nesse caso, o tratamento, hormonal ou cirúrgico é menos complexo e o quadro pode se reverter. Já em casos onde a doença está instalada há mais tempo, para que a mulher engravide é necessário que ela recorra a algum método de reprodução assistida, como a fertilização in vitro", explica o especialista em Reprodução Humana Assistida.



Como não dispomos ainda de uma maneira efetiva para prevenir a doença em si, o maior objetivo dos ginecologistas, hoje, é identificar as adolescentes predispostas a desenvolver a endometriose e agir no sentido de prevenir seu aparecimento. "Por isso, é importante que todos os esforços estejam voltados para a prevenção secundária. É preciso alertar a população e a classe médica para a doença, permitindo, dessa maneira, que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível", enfatiza Joji Ueno.


Cólicas menstruais muito fortes podem ser o primeiro sintoma da doença!!

Fique atenta!!

A primeira menstruação (a menarca) é um marco na vida das meninas, pois representa o início do ciclo reprodutivo, portanto a capacidade de gerar filhos. Culturalmente, significa que elas estão ficando "mocinhas", deixando a infância para entrar na adolescência. Porém, a nova fase traz consigo algumas chateações, como cólicas fortes, enxaqueca e indisposição. O problema é quando os sintomas são exagerados, principalmente as cólicas menstruais, que podem ser sinal de outras doenças perigosas, como a endometriose. Caracterizada pela presença do tecido que compõe a camada interna do útero (endométrio) em outros órgãos do corpo, a doença é grave, pois provoca dores fortes e infertilidade, diminuindo a qualidade de vida da mulher.

Segundo estimativas fornecidas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, 70% das adolescentes com dores crônicas causadas pela menstruação e que não respondem a tratamentos medicamentosos podem estar com endometriose. A porcentagem é alarmante, mais ainda quando se sabe que, apesar dos sintomas começarem a se manifestar cedo, o despreparo das meninas e dos médicos pode fazer com que o diagnóstico ocorra tardiamente.

Um estudo brasileiro apresentado no Congresso Mundial de Endometriose, em 2008, apontou que o período entre o início dos sintomas, o diagnóstico da doença e o tratamento é de aproximadamente oito anos. Quando a queixa de dor começa no início da adolescência, esse intervalo aumenta para doze anos.




Frescura?

Não. Quando a pessoa se queixa de dores muito fortes não deve ser considerado um sintoma normal da menstruação. "A dor intensa que requer repouso e as impede de exercer as atividades normais podem apresentar endometriose. A recorrência das cólicas incapacitantes pode ser o primeiro sintoma da endometriose", explica o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis.

Hoje em dia, a menarca ocorre cada vez mais cedo. Meninas de nove anos já começam a ter ciclo menstrual, e isso, muitas vezes, é determinante para que a doença se desenvolva silenciosamente, pois elas não possuem maturidade suficiente para entender e conversar com o médico sobre o que estão sentido, já as mães podem não compreender a intensidade das cólicas, e os médicos, por sua vez, também podem não estar preparados para lidar com as pacientes. O resultado é que elas acabam se acostumando com a rotina mensal de dores intensas e vão procurar ajuda tardiamente.

"O que poucos consideram é que essa doença se desenvolve lentamente e pode ser desencadeada logo no início da idade reprodutiva, antes mesmo de a menina ter sua primeira relação sexual. A ideia de que sentir dor ao menstruar não é nada demais é uma das razões para o diagnóstico tardio da doença", observa o ginecologista Aléssio Mathias.


"Mal da mulher moderna"

A endometriose ganhou o apelido médico de mal da mulher moderna. "Hoje, a mulher tem 400 menstruações ao longo de sua vida fértil, contra 40, no início do século XX. Isso ocorre porque, antes, as mulheres tinham mais gestações e, por isso, menos endométrio disponível, o que dificultava o aparecimento da endometriose", comenta Maurício Simões Abrão, presidente da Associação Brasileira de Endometriose.

A doença não é nova. Desde 1860, há estudos que relatam o problema feminino, mas só nos últimos dez anos é que a endometriose começou a chamar a atenção dos médicos. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose (SBE), de 10% a 15% das brasileiras em idade fértil apresentam a doença, ou seja, cerca de 6 milhões de mulheres em todo o país.

Sinal de infertilidade

A cólica forte é o primeiro sintoma de endometriose, mas não é o único. Geralmente esse sintoma está ligado a outros quatro. São eles: dores intestinais (diarreia ou dor para evacuar), dor para urinar durante a menstruação, dores em geral no intervalo entre uma menstruação e outra e dor na relação sexual. No entanto, cerca de 10% das mulheres não apresentam estes sintomas, o que dificulta muito o trabalho dos médicos no diagnóstico e tratamento da doença, podendo levar a um quinto sintoma, a infertilidade.

Ainda de acordo com a SBE, os estudos indicam que 50% das mulheres que têm endometriose não conseguem engravidar, uma vez que anatomicamente a doença altera a pelve e obstrui as trompas, além das alterações internas que ocorrem no útero. Só quando buscam ajuda médica para ter filhos é que essas mulheres assintomáticas descobrem que são portadoras da doença. "A maioria das mulheres que são diagnosticadas com a doença estão na faixa dos 32 anos, que é quando começam as tentativas para engravidar", afirma o ginecologista Maurício Abrão, presidente da SBE.


Diagnóstico precoce

Devido à gravidade do problema, os especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é essencial. "O posicionamento dos especialistas de todo o mundo vem sempre reforçar a necessidade de empreendermos mais esforços na educação das pacientes para evitar uma das piores consequências da endometriose, a incapacidade de gerar filhos no futuro", diz Aléssio Calil Mathias.

Médicos e profissionais das diversas especialidades que acompanham adolescentes - hebiatras, endocrinologistas, ginecologistas, nutricionistas, professores - devem estar aptos a reconhecer os sinais da doença e recomendar a investigação o quanto antes. "A partir do diagnóstico, a estratégia de controle pode ser traçada, assegurando qualidade de vida a esta jovem. Isso porque a endometriose, como o diabetes, é um quadro sem cura, mas a portadora pode controlar a evolução da doença", explica o ginecologista.

Não facilite, previna!

Sendo jovem ou não, o importante é prevenir o aparecimento da doença. Como? Por meio de práticas saudáveis e acompanhamento médico regular. O aparecimento da endometriose pode estar ligado tanto a fatores imunológicos, como por exemplo, o estresse, quanto a fatores ambientais, como poluição, e alimentares. Por isso, uma qualidade de vida mais saudável é um grande passo para a prevenção.

A prática regular de exercícios físicos é muito importante, como afirma a médica Rosa Maria Neme, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. "A
endorfina produzida por meio do exercício físico causa bem-estar, aliviando o estresse, e diminui a produção de estrógenos circulantes (que alimentam a endometriose), melhorando, consequentemente, os focos da doença", diz a médica.

A alimentação equilibrada e saudável é também um ponto positivo para a prevenção não só da endometriose, como também de várias outras doenças, como obesidade e diabetes. Um estudo recente publicado na revista científica americana Human Reproduction concluiu que dieta rica em gordura trans pode estar associada ao aumento da doença e que, em contrapartida, alimentos ricos em ômega-3 ajudam na prevenção. or meio da análise de mais de 70 mil mulheres, pesquisadores da Universidade de Harvard, EUA, descobriram que mulheres que consomem muitos alimentos ricos em ômega-3, como atum e salmão, tinham 22% menos chances de desenvolver a doença.


Quando vai chegando próximo do período menstrual, a mulher, além de enfrentar a famosa TPM, precisa também lidar com outro grande desconforto: a cólica. Chamada cientificamente de dismenorreia, se manifesta através de uma dor pélvica provocada pela liberação de uma substância (prostaglandina) que faz o útero contrair para eliminar o endométrio em forma de sangramento menstrual. Quando muito forte, a cólica pode estar associada a outros sintomas como náuseas, dor de cabeça e inchaço.

E não pense que esse desconforto é incomum. Estima-se que, mais ou menos, metade da população feminina sente ou já sentiu cólicas menstruais. Conforme explica a ginecologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, Helena Junqueira, a dismenorreia, quando primária, é apenas uma reação fisiológica do organismo, e não uma doença. O que varia é que pode se manifestar de maneira mais intensa - e até incapacitante - ou apenas como um leve desconforto.


 especialista esclarece também que a intensidade das cólicas pode alterar dependendo de alguns fatores. "Quanto maior o fluxo menstrual mais dor. A presença de coágulos e o tamanho do orifício do colo do útero são igualmente variáveis importantes", ensina. Isso explica porque as cólicas são mais comuns entre as adolescentes: o seu útero ainda é pequeno e o orifício de saída mais fechado.

Tratamento
Para a ciência, a dismenorreia se divide em duas categorias - primária ou secundária. No primeiro caso, é provocada pelo aumento da produção de prostaglandina, conforme dito anteriormente. Para essas mulheres, o tratamento mais comum é à base de medicamentos antiespasmódicos. Caso não surtam efeito para diminuição da dor, Junqueira explica que outra alternativa com excelentes resultados é a administração de anti-inflamatórios.

A dismenorreia secundária é um sintoma provocado pelo organismo quando há presença de algumas alterações patológicas no aparelho reprodutivo, como a endometriose. Para esses casos, o melhor tratamento deve ser indicado pelo médico, não apenas visando o alívio da dor, mas sim, o combate à doença. 

Junqueira explica também que o uso das pílulas anticoncepcionais acaba tendo indiretamente efeito positivo contra a dismenorreia, já que o medicamento à base de hormônios gera atrofia no endométrio e diminui o fluxo da menstruação, minimizando consequentemente as dores da cólica.

Recomendações
As cólicas menstruais podem ser amenizadas com algumas atitudes e mudanças de comportamento. Uma dica eficiente do tempo das avós é o uso de uma bolsa de água quente na região abdominal. Com o calor, os vasos sanguíneos sofrem dilatação, o que provoca a diminuição da dor.

Outra recomendação da médica é que a mulher aprenda, durante sua vida fértil, a se conhecer cada vez melhor. Somente assim ela será capaz de identificar como a cólica e outros sintomas característicos da menstruação se manifestam no organismo.  

Além disso, é importante a prática regular de exercícios físicos, que colaboram para reduzir o fluxo menstrual e os processos inflamatórios. "Uma dieta saudável também ajuda a equilibrar o organismo para que ele funcione melhor e, com isso, é arma importante contra as cólicas. Portanto é recomendável que a mulher tome bastante líquido e coma muitas fibras", ensina Junqueira.

Para finalizar, ela alerta que, no período pré-menstrual e durante a menstruação, é aconselhável evitar a ingestão de cafeínas (café, chás, chocolate).  

Fica a dica!


Cólicas fortes que pioram a cada mês, aumento do fluxo menstrual, dores abdominais mesmo fora da época da menstruação e dor durante a relação sexual são importantes sintomas de uma doença que acomete cerca de 15% das mulheres em idade reprodutiva no mundo: a endometriose.

Apesar da abundância de estudos sobre o tema, as causas desta doença ainda são desconhecidas pela medicina. O que a ciência já sabe é que a endometriose está relacionada ao ciclo hormonal, mais precisamente ao hormônio estrógeno que é produzido nos ovários das mulheres em idade reprodutiva. O que acontece com o organismo feminino saudável é que, periodicamente, a mucosa que reveste a cavidade interna do útero, chamada endométrio, sofre alterações, preparando este útero para a implantação do óvulo fertilizado. 

Quando não ocorre a fecundação, o endométrio é eliminado através da menstruação. No entanto, durante esse processo, algumas de suas células podem migrar e cair na cavidade abdominal, provocando uma reação inflamatória que caracteriza a endometriose. Essa inflamação pode atingir também outros órgãos além do útero, como o intestino e a bexiga. Nesses casos os sintomas mais comuns são dor e sangramento na evacuação e na urina.



Conforme explica a doutora em ginecologia pela Faculdade de Medicina da USP e diretora do Centro de Endometriose São Paulo, Rosa Maria Neme, as evidências indicam que a endometriose esteja ligada a questões genéticas e a um distúrbio no sistema imunológico do organismo, que não consegue frear o aparecimento da doença. E como se trata de uma enfermidade progressiva, os sintomas se agravam com o tempo, podendo chegar a desconfortos extremos como dor incapacitante e, inclusive, infertilidade. 

"Cerca 40% das mulheres com endometriose apresentam dificuldade em engravidar. Por isso, o importante é descobrir cedo. Uma boa investigação clínica, através do exame de toque, consegue identificar as primeiras evidências da doença. Existindo suspeitas, o diagnóstico pode ser confirmado com exames de imagem - ressonância magnética e ultrassonografia", esclarece a especialista. A boa notícia é que, segundo Neme, na grande maioria das vezes, a infertilidade é revertida com tratamentos específicos. "Na pior hipótese, a mulher é submetida a um tratamento de fertilização in vitro que apresenta altas taxas de sucesso", tranquiliza.



Do diagnóstico ao tratamento
Quando a endometriose é diagnosticada em estágios iniciais, o tratamento mais comumente utilizado é medicamentoso, à base de anticoncepcionais combinados com baixas doses de hormônio ou, ainda, somente à base de progesterona. Esses medicamentos atuam diminuindo a ação do estrógeno e, dessa maneira, ajudam a controlar a progressão da doença.

"Os medicamentos são usados nos casos mais leves e também no pós-operatório, a fim de evitar que a doença retorne. Mas, para grande parte das mulheres com endometriose, o tratamento é cirúrgico, via laparoscopia", afirma Neme. Segundo ela, o avanço da tecnologia robótica também traz boas perspectivas para o tratamento da endometriose, pois permite a realização da cirurgia com melhor precisão de imagem, visão mais definida do campo operatório e melhor recuperação da paciente.

Mas, além da atenção médica, quem tem endometriose pode (e deve) ajudar no tratamento, mantendo um estilo de vida saudável que inclui a prática regular de exercícios físicos aeróbicos e uma alimentação adequada. Aliadas ao tratamento preciso e ao diagnóstico precoce, são poderosas ferramentas para o controle desta doença que ainda intriga médicos e cientistas.  

Beijos!!


Endometriose: doença silenciosa afeta 6 milhões de brasileiras!!!

Fiquem atentas aos sintomas!!

Ter cólicas menstruais é normal para boa parte das mulheres. Mas, quando as dores são muito fortes - do tipo que deixam a pessoa prostrada, sem condições de fazer nada -, pode ser um sinal da endometriose. A doença se caracteriza quando o tecido que recobre a camada interna do útero (o endométrio) cresce também fora do útero, podendo acometer ovários, trompas, bexiga, intestino e outras áreas próximas - até os pulmões.

O endométrio existe para que a mulher possa engravidar. Ele cresce todo mês durante o ciclo menstrual, com o objetivo de receber uma gravidez. Caso ela não aconteça, ele descama e é eliminado, normalmente, durante o período menstrual.

Trata-se de uma doença que pode ocorrer em qualquer momento da fase fértil - ou seja, entre os 15 e os 45 anos, em média. No Brasil, estima-se que cerca de 6 milhões de mulheres sofram com o problema.



Adolescente já pode ter o problema

A doença se manifesta na adolescência. Segundo estimativas fornecidas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), 70% das adolescentes com dores crônicas causadas pela menstruação e que não respondem a tratamentos medicamentosos podem estar com endometriose. A porcentagem é alarmante, mais ainda quando se sabe que, apesar de os sintomas se manifestarem cedo, o despreparo das meninas e dos médicos pode fazer com que o diagnóstico ocorra tardiamente.

É por isso que a maioria das mulheres só vai descobrir a doença na fase adulta, quando tenta engravidar e não consegue. Na investigação feita por meio de exames, ela descobre que já tinha endometriose e conviveu com ela por muito tempo. Muitas vezes, pensava que era apenas uma cólica menstrual, e tratou essa cólica com paliativos, mas a doença permaneceu atuante.
Portanto, é de fundamental importância que as adolescentes tenham o hábito de se consultar rotineiramente com a sua ginecologista. Nas consultas, com base no relato da menina, a médica tem condições de começar a elaborar o diagnóstico e, com isso, iniciar o tratamento da doença - sem falar que, de maneira geral, é muito importante que a adolescente vá ao consultório ginecológico para esclarecer dúvidas, mesmo que ainda seja virgem.
Um estudo americano aponta que, entre 12% e 31% de mulheres submetidas a laparoscopia para determinar causa de dor pélvica têm endometriose. Outro dado mostra que de 25% a 38% das adolescentes com dor pélvica crônica parecem ter a doença. E 2/3 da mulheres adultas começam a apresentar sintomas antes dos 20 anos de idade. 

Causas não são conhecidas

A teoria mais comum, e aceita, para explicar as causas da endometriose é a da menstruação retrógrada, em que o fluxo volta pelas trompas e gruda em outros lugares da cavidade abdominal. Porém, essa teoria não explica tudo, e existem outras teorias acerca das causas da endometriose.

Sobre a menstruação retrógrada, ela está presente em mulheres com ou sem endometriose, em igual porcentagem. Portanto, não é a menstruação retrógrada, sozinha, a causadora da doença. Isso envolve outros fatores, como a predisposição genética e imunológica.
 

Maioria das mulheres é assintomática

Das mulheres que apresentam sintomas, o mais comum é a dor na região pélvica. Pode haver também dor nas relações sexuais, cólicas menstruais intensas, sangramento menstrual pelos diversos focos de endometriose (fezes, urina, tosse com sangue etc.), infertilidade e cistos de ovário.

Um estudo brasileiro apresentado no Congresso Mundial de Endometriose, em 2008, apontou que o período entre o início dos sintomas, o diagnóstico da doença e o tratamento é de aproximadamente oito anos. Quando a queixa de dor começa no início da adolescência, esse intervalo aumenta para 12 anos.

Diagnóstico se baseia em sintomas e exames

A endometriose é identificada quando se nota que as células do endométrio estão fora da cavidade uterina. O diagnóstico é feito com base nos sintomas da paciente. Alguns exames podem ser solicitados, como ultra-som pélvico, ressonância magnética e videolaparoscopia (para biópsia).

Não havendo sintomas, o problema pode ser descoberto aleatoriamente, durante uma visitas de rotina à ginecologista ou mediante a realização de exames para identificar outros problemas. 

Tratamento envolve bloqueio da menstruação

O tratamento vai depender do grau da doença e dos órgãos acometidos, mas se baseia no bloqueio da menstruação. Isso é feito por meio de medicação (anticoncepcional). Assim, a mulher não correrá mais o risco de ter a menstruação retrógrada, e com isso voltar a desenvolver a endometriose.

Mas é importante dizer que o acompanhamento da paciente será sempre individualizado. A ginecologista deverá pedir exames complementares e realizar outras ações - por exemplo, se a mulher tiver um cisto, ele terá de ser retirado.

O tratamento pode envolver ainda a retirada completa do útero - a última tentativa é retirá-lo, juntamente com os ovários. Isso só feito, porém, quando o tratamento clínico e/ou o cirúrgico conservador (retirada apenas das aderências causadas pela doença) é falho.

A melhor maneira de bloquear a menstruação é engravidar, pois, durante toda a gestação, a mulher não menstrua, e isso é um ótimo tratamento para a endometriose. Após a gravidez, a doença é, geralmente, controlada.
Há indícios de que a acupuntura tenha efeitos benéficos no tratamento e controle da doença. Praticar exercícios e manter uma alimentação e hábitos saudáveis são sempre recomendáveis para se evitar a endometriose e outros problemas que comprometem a qualidade de vida da mulher.

Fica a dica!!


A doença é recorrente entre as mulheres porque além de causar dor durante a relação sexual, alterações intestinais durante a menstruação - como diarréia ou dor para evacuar - também está associada às dificuldades para engravidar após um ano de tentativas sem sucesso. Como as cólicas menstruais são ocorrências habituais na vida da mulher, é recomendado que a investigação das causas das dores deve ser feita quando estas apresentarem resistência a melhorar com remédios ou quando elas incapacitam a mulher para exercer suas atividades normalmente. Pois, cólica intensa é o principal sintoma de endometriose e leva à suspeita de que a doença esteja instalada.


Confira abaixo quais são as dúvidas mais comuns:

Quais os principais sintomas de quem sofre com a endometriose?
A grande maioria têm dismenorréia, ou seja, cólica menstrual, o primeiro e mais importante sintoma. Muitas vezes, são cólicas intensas que incapacitam as mulheres de exercerem suas atividades habituais. A dor pode ainda manifestar-se durante a relação sexual, quando o pênis encosta no fundo da vagina. Este é o segundo sintoma. Além desses sintomas, podem estar presentes a dificuldade para engravidar e alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação. Nos casos mais avançados, a dor pode ocorrer também fora do período menstrual.

Como diferenciar uma cólica normal da característica da endometriose?
Na verdade, não existe uma diferenciação muito clara porque há pacientes com endometriose e poucas cólicas durante a menstruação. Entretanto, o raciocínio é sempre orientar as mulheres a procurarem um médico quando tiverem cólicas com certa resistência a melhorar com remédios ou que as incapacite de exercer suas atividades normalmente.

Os sintomas da presença da endometriose podem confundir e retardar o diagnóstico da doença?
Sim. E para identificá-la é importante saber que a doença pode acometer mulheres a partir da primeira até a última menstruação, com média de diagnóstico por volta dos 30 anos. Em média, a mulher tem 32 anos quando é feito o diagnóstico da doença. Em 44% dos casos passaram-se cinco anos ou mais até a doença ser diagnosticada. De 40% a 50% das adolescentes que apresentam cólica incapacitante. A investigação clínica, a anamnese bem feita seguida de um exame físico adequado, o toque vaginal que permite verificar alguns aspectos característicos da doença, tudo isso faz parte do exame ginecológico normal e de rotina que não visa ao diagnóstico da doença em si, mas que pode funcionar como prevenção primária para a endometriose. O exame ginecológico é o ponto de partida para estabelecer o diagnóstico da endometriose. Se a doença se assesta no ovário, o ginecologista pode perceber o aumento dos ovários pelo toque. Se acomete a região que fica entre o útero e o intestino, um tipo de endometriose que se chama endometriose profunda, o toque permite perceber espessamentos atrás do útero e dor quando o médico apalpa essa região. Quando a doença acomete o peritônio (tecido que reveste a cavidade abdominal) fica mais difícil estabelecer o diagnóstico pelo toque.

A doença apresenta fatores hereditários, ou seja, se a minha mãe teve endometriose corro maior risco de apresentar a doença?
Alguns estudos apontam que existe um fator hereditário que deve ser levado em conta nos casos de endometriose. Entretanto, existem outros fatores de risco que devem sempre ser levados em conta, tais como a menstruação retrógrada, que leva o endométrio para a cavidade abdominal permitindo o desenvolvimento da doença no local. A imunidade da paciente também deve ser considerada, como o estresse e a ansiedade Isso vale para o câncer e vale para a endometriose. Por fim, deve-se considerar também o número de menstruações. Hoje, a mulher menstrua em média 400 vezes na vida, enquanto no começo do século passado menstruava apenas 40 vezes, porque a primeira menstruação ocorria mais tarde, ela engravidava mais cedo, tinha mais filhos e passava longos períodos amamentando.

A endometriose pode virar câncer? Há alguma relação comprovada entre ambos?
O mecanismo das duas doenças tem muitas similaridades. Sabe-se, porém, que a relação entre endometriose e câncer é muito pequena, em torno de 0,5% a 1% dos casos. Na verdade, apesar de não caracterizar uma doença maligna, a endometriose se comporta de modo parecido, no sentido de que as células crescem fora de seu lugar habitual. Embora, na maioria das vezes, esse crescimento não tenha conseqüências letais, acaba provocando muitos incômodos. Por isso, pesquisadores suecos apresentaram um estudo onde a endometriose foi associada pela primeira vez ao aparecimento de diversos tipos de cânceres, especialmente o de ovário. Especialistas do Hospital da Universidade de Karolinska em Estocolmo, Suécia, analisaram os dados de 63.630 mulheres, que tinham sido atendidas pelo Hospital com o diagnóstico de endometriose, entre 1969 e 2002. Os cientistas encontraram 3.822 casos de câncer entre mulheres com endometriose. Segundo o trabalho, a doença aumentou o risco da mulher desenvolver o câncer de ovário em 37% do grupo analisado, risco de um terço acima da população normal das mulheres sem a doença. Também foram registrados aumento no número de casos de tumores endocrinológicos (38%), de câncer renal (36%) e de câncer da tireóide (33%). Os pesquisadores investigarão se o tratamento hormonal ou cirúrgico da endometriose tem relação com o risco aumentado do câncer.

Há casos de endometriose com sintomas bem discretos enquanto outros são bem mais graves. Como posso classificar a doença?
A classificação da endometriose leva em conta a extensão da doença. A mais aceita foi elaborada por uma sociedade americana e parte do procedimento de visualização das lesões, o passo seguinte depois do diagnóstico. O exame clínico, o marcador e exame de ultra-som são os meios adequados para definir as mulheres para as quais se deve indicar a laparoscopia, um exame realizado sob anestesia através de pequenas incisões no abdômen por onde se introduz um tubo ótico de aproximadamente 10mm de diâmetro para visualizar as áreas da cavidade abdominal em que se fixaram os implantes - nome que se dá ao tecido endometrial deslocado. É um procedimento cirúrgico menor que permite identificar tamanho, extensão e local de acometimento das lesões e iniciar imediatamente o tratamento adequado.

Então, a laparoscopia é, ao mesmo tempo, um teste de diagnóstico que avalia a extensão da doença e uma forma de iniciar o tratamento dela?

Depois que se faz uma análise da cavidade abdominal, dos pontos com comprometimento pela doença, procura-se ressecar sempre que possível os focos que se encontram nos ovários, trompas, útero, peritônio e intestino. Em relação aos cistos no ovário e no útero, a preocupação é retirá-los, mas preservando esses órgãos, uma vez que na maioria das vezes as pacientes são jovens e têm desejo reprodutivo. Através da laparoscopia conseguimos ressecar também os focos existentes no tecido que reveste a cavidade abdominal (peritônio) e outros mais profundos localizados nos intestinos, indicativos de casos mais graves e que demandam tratamento efetivo. Obviamente, a cirurgia aberta é também uma alternativa para remover as lesões de endometriose, mas a laparoscopia é o método mais utilizado para diagnóstico e tratamento dessa doença.

A endometriose provoca alterações no ciclo menstrual, estas alterações podem causar a infertilidade feminina?
A relação entre a endometriose e a infertilidade feminina pode manifestar-se em alguns casos. Pacientes em estágio avançado da doença e obstrução na tuba uterina que impeça o óvulo de chegar ao espermatozóide têm um fator anatômico que justifica a infertilidade. Além disso, algumas questões hormonais e imunológicas podem ser a causa para algumas mulheres com quadros mais leves de endometriose não conseguirem engravidar. Após o tratamento e, geralmente, a realização da laparoscopia, uma boa parcela das pacientes consegue engravidar, principalmente as mulheres em que as tubas não tiverem sofrido obstrução. É por isso que no final da laparoscopia, costuma-se injetar contraste pelo canal do colo uterino para ver se ele sai pelas tubas. A caracterização dessa permeabilidade tubária é um ponto a favor de uma gravidez que depende, entretanto, de outros fatores como a função ovariana ou a não formação de aderências depois da cirurgia, por exemplo.

Após a realização de uma laparoscopia bem sucedida, com a retirada de todas as lesões da cavidade abdominal, há riscos de reincidência?Depois da laparoscopia, quando a doença está num estágio avançado, costuma-se indicar uma medicação para suprimir temporariamente a menstruação. São, geralmente, medicamentos que bloqueiam a função ovariana, durante três ou quatro meses, para a paciente poder se recuperar. Depois disso, há possibilidades da doença voltar a existir, porque o retorno da função menstrual pode determinar o reaparecimento das lesões. Por isso, em alguns casos, é preciso bloquear a menstruação por mais tempo e tomar cuidado depois das gestações para que não haja recidivas. A cura da endometriose depende da boa administração da doença e nem sempre representa a extirpação eterna dos focos.


Fiquem atenta aos sintomas!!